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10 filmes para o Dia da Mentira

Por Francisco Carbone e Heitor Romero

O dia de hoje deve ser uma das datas que mais provoca piadas generalizadas desde sempre. Com o advento das redes sociais, o Dia da Mentira virou uma febre em todos os sites e portais, inclusive nos de notícias. Muitos sites de cinema inclusive investem nas piadas e criam notícias falsas que muitas vezes repercutem para além das datas. Esse ano nós do Cineplayers resolvemos homenagear a mola propulsora da data, e vamos elencar 10 filmes que tratam a mentira com muita verdade e celebram esse ato tão feio na vida real - aqui nesses 10 filmes vamos mostrar esse lado, mas também os lugares onde a mentira até cai bem. 


Pinóquio (1940)

A fábula-mor sobre a mentira e suas consequências não poderia ficar de fora de um especial sobre o assunto. Pinóquio, o boneco de madeira que sonha em ser um menino de verdade, tem uma relação muito estreita com a mentira: para cada uma que ele conta, seu nariz cresce um pouco. A alegoria sobre o crescimento e a descoberta do mundo e da própria identidade traz consigo uma análise sobre a mentira como uma das necessidades mais inerentes e essenciais da vida humana, conforme se cresce e se tem de adaptar ao mundo cheio de pequenas hipocrisias que existem em prol do bem estar social. Pinóquio enfim se torna um menino de verdade e aprende a duras penas as consequências das mentiras, mas para os que o rodeiam e permanecem com seus narizes em tamanho padrão, a mentira talvez continue um recurso a qual se recorrer vez ou outra. (Heitor Romero)


Ser ou Não Ser (1942)

Talvez a maior farsa já encenada na história do cinema clássico, Ser ou Não Ser analisa a mentira tanto como ferramenta essencial no âmbito profissional dos atores, como recurso de escape em uma sociedade marcada pela repressão e censura de uma ditadura. Na Polônia ocupada por nazistas, a mentira se torna mais que salvadora para uma trupe de teatro que deve evitar que um espião entregue todos os planos da resistência a seus superiores. Num insight metalinguístico dominado com maestria, o mestre Ernst Lubitsch mistura situações reais com encenações, cruza personagens, cria uma teia de tramas sobrepostas e erige uma trama tão complicada que em dado ponto a verdade se torna a mentira e vice-versa. Tudo é perdoável: em nome da arte e da liberdade, toda a mentira se faz necessária e livradora. (Heitor Romero)


A Malvada (1950)

Eve Harrignton é uma atriz nata e isso poderia ser somente um talento aproveitável nesse cenário glamoroso dos bastidores da Broadway. Mas a questão é que ninguém ao seu redor sabe disso – ninguém sabe que ela está atuando. A Malvada brinca com a profissão do ator ao criar a dinâmica de uma oportunista e alpinista social que se faz de humilde admiradora de uma atriz poderosa, para então se infiltrar naquele universo, manipular todos e assumir o posto de seu maior ídolo. Eve Harrington é a mentira e a dissimulação encarnadas em uma só pessoa e por isso é também personagem essencial deste especial. Não bastasse o grande roteiro e os lendários embates de atuações que fizeram de A Malvada um clássico absoluto, temos ainda uma atriz dentro e fora da personagem que faz misérias e torna a mentira a mais invejável e atraente das falhas de caráter. (Heitor Romero)


Cupido Não Tem Bandeira (1961)

Embora Billy Wilder tenha sido um dos cineastas mais versáteis de todos os tempos, trabalhando com diversos gêneros e conseguindo brilhar em todos eles, é possível afirmar que sua obra tenha girado quase toda em torno de um único tema: a mentira. Seus personagens são quase todos farsantes, sempre se valendo de mentiras e dissimulações para conseguirem alguma coisa. Na comédia hilária que é Cupido Não Tem Bandeira, ele se aproveita do cenário de paranoia comunista que dominava os EUA no período da Guerra Fria, para contar a história de um executivo da Coca-Cola – o símbolo máster do capitalismo – que precisa transformar o genro de seu patrão em um capitalista exemplar, mesmo sendo ele um comunista convicto. As situações que esse plot rende são hilárias e mostram como a mentira muitas vezes calha de, por ironia, revelar as semelhanças que existem entre os lados opostos. (Heitor Romero)


A Gaiola das Loucas (1978)

Edouard Molinaro abriu as portas do prestígio às comédias francesas. Com uma trama simples mas muito arriscada para a época, ele ousou colocar um casal gay como não apenas protagonistas, mas par romântico pelo qual rapidamente torcemos, mesmo depois de criarem uma série de mentiras que, em efeito dominó, os transforma num casal cis hetero e branco. Ainda hilario 40 anos após seu lançamento, o filme recebeu um inspirado remake americano dirigido por Mike Nichols, mas que não conseguiu suplantar os inesquecíveis Ugo Tognazzi e Michel Serrault nesse conto sobre as mentiras contadas para aplacar um mal estar social que infelizmente ainda encontra eco. Sutilmente, A Gaiola das Loucas brada contra o preconceito. (Francisco Carbone)


Tootsie (1982)

Uma das melhores, mais populares e mais premiadas comédias da história do cinema, Sydney Pollack foi um cineasta e ator dos mais sensíveis, e aqui ele parte do infinito talento de Dustin Hoffman e constroi um filme onde cada detalhe da sua construção é brilhante. A história tá na boca de todos: um ator desempregado e desesperado acaba eliminado num teste de novela, e acaba num desafio pessoal voltando para fazer o teste vestido de mulher. Ele não só passa no teste e consegue o emprego como vê seu papel de coadjuvante chegar ao protagonismo pelo imenso sucesso, fazendo todos a sua volta se apaixonar - homens e mulheres. A farsa armada no filme ganha níveis nacionais e mostra a mentira colocada no nível máximo, num filme onde tudo é superlativo e irretocável. (Francisco Carbone)


As Bruxas de Salem (1996)

O diretor Nicholas Hytner teve uma década de 90 brilhante, e talvez seu maior acerto tenha sido essa impressionante adaptação da obra de Arthur Miller, um clássico do tema. Quando um homem casado decide terminar o caso que estava tendo com uma jovem, não fazia ideia que ela lideraria um grupo de jovens que começaria a se reunir em rituais de bruxaria para acabar com sua mulher, mas as mentiras inventadas naquela sociedade destruiria um a um. Um conto moral sobre o poder devastador da mentira, Miller retratou o macarthismo nos palcos e deu a matéria prima para esse excelente filme que usou o poder da sua luz para criar o mundo de sombras retratado. Com apoio de um elenco soberbo e um roteiro adaptado pelo próprio autor, o filme marcou a década e trata o poder da mentira da maneira mais acertada possível. (Francisco Carbone)


O Mentiroso (1997)

Um dos maiores sucessos da carreira cheia deles de Jim Carrey, o filme é claramente uma parábola que pode ser usada para rir a valer mas que guarda um espacinho para reflexão: e se de repente só falássemos a verdade, doa a quem doer? O personagem de Carrey é um advogado que, num passe de mágica, passa a falar literalmente somente a verdade. No mundo em que vivemos, é irônico pensar num advogado que não minta em nenhuma ocasião. O diretor Tom Shadyac fez uma dupla longeva com Carrey e de fato sabia extrair o melhor do ator, e esse é o filme de ambos que sem dúvida mais sai do lugar comum da comédia estabanada que tão bem faziam para esse lugar raro onde a comédia popular pode também provocar reflexão. (Francisco Carbone)


Adeus, Lenin! (2003)

Há 15 anos atrás, o Brasil foi varrido pela popularidade alcançada pelo longa de Wolfgang Becker, que fez a cabeça de todos os públicos. O filme mostra de forma cômica os efeitos da queda do muro de Berlim, quando uma comunista enfarta ao ver seu filho num protesto contra o regime. Em coma durante um ano, ela acorda e precisa ver o mundo sem muro... só que seu filho criará um mundo de faz de conta onde o muro ainda existe e nada mudou, pois ele teme um choque fatal nela. O filme que lançou Daniel Bhrül para o mundo é uma comédia dramática encantadora sobre a relação entre mãe e filho, que usa a mentira como forma de proteção. Ainda assim uma mentira é aceitável?, foi a questão que varreu o público que celebrou esse grande sucesso à época. (Francisco Carbone)


Desejo e Reparação (2007)

Existe mentira inocente? Tudo bem quando é uma criança quem a conta? Em Desejo e Reparação, o fatalismo do romance-base de Ian McEwan ganha contornos trágicos quando uma garotinha inventa uma mentira que muda drasticamente o destino de várias pessoas. Joe Wright explora essa situação através de um jogo de perspectivas e de um vai e vem no tempo que revela todos os lados e todas as consequências que a mínima mentira é capaz de causar a curto, médio e longo prazo. Através do melodrama de guerra e toda a carga dramática que essa combinação traz, Wright estuda os rastros que permanecem e que nem o tempo é capaz de apagar. (Heitor Romero)

Comentários (11)

André Oliveira de Araujo Ferreira | domingo, 01 de Abril de 2018 - 22:25

"Nada a ver! Tem uma cena que possui uma piada verbal, o menino fala pro Jim: "DADZILLA!" E ele: "MONSTER MAX!" .. Isso eh balela de preferir dublado em vez de idioma original, dublagem eh a mutilaçao do filme!"

Sim, eu sei que dublagem deves sempre ser evitada, pois adultera o projeto original da obra de arte. Porém, simplesmente pela memória afetiva, eu gosto de ver dublado. Só pela nostalgia. Tipo no "Eu já tive melhores". Li até na voz do dublador...

Rique Mias | domingo, 01 de Abril de 2018 - 23:27

Entendi, comigo em filmes eh assim soh com De Volta para o Futuro, mas se eu rever vai ser legendado mesmo..

Thiago A. P. | sábado, 07 de Abril de 2018 - 23:40

De Volta para o Futuro tem que ser com a dublagem clássica: https://vimeo.com/127608785

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