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Melhores Filmes de 2019 - Leitores

RESULTADO FINAL

Chegamos ao final de mais um ano e, como é tradição aqui no Cineplayers, tivemos a seleção de melhores do período tanto da equipe Cineplayers quanto dos nossos queridos e participativos leitores - e você pode acompanhar todo o histórico do processo abaixo, já que fizemos tudo na mesma página.

Foram 57 leitores e 106 filmes citados, com Parasita aparecendo na maioria das listas (45 vezes) e também o que mais vezes figurou na primeira posição (20). O primeiro lugar acumulou 100 pontos, o segundo 90 e assim em diante, até o décimo lugar ficar com apenas 10 pontos.

A votação aconteceu entre os dias 1 e 7 de janeiro, com a divulgação dos 10 melhores, ainda sem ordem, no dia 11. A partir dessa data, vocês nos enviaram textos para colaborar com a produção da matéria e o resultado final você pode acompanhar abaixo.

Boa leitura e até a lista do ano que vem!


10. Dor e Glória (Pedro Almodóvar, 2019)

No ano dos filmes-legados, como o Irlandês de Scorsese, Era Uma Vez na America de Tarantino e A Mula de Eastwood, Almodóvar compõe um de seus mais belos filmes, acertando na delicadeza que exprime a alma de seu personagem principal. Com um forte teor autobiográfico, ele atinge não só o cineasta e o personagem, mas faz cinema puro, onde um se mistura com o outro através do audiovisual e das memórias. Uma carta de amor tanto ao cinema (e seu próprio cinema), às pessoas que passaram em sua vida e a si mesmo. Com um trabalho delicado e poderoso de todo o elenco, principalmente Banderas, e uma parte técnica que é mais intimista, mas não esquece a vivaciade de seu diretor, Dor e Glória marca um projeto único para um cineasta que já trouxe tantos projetos especiais em sua carreira.

- Leonardo Ferreira Sampaio


9. Vingadores: Ultimato (Anthony Russo, Joe Russo, 2019)

Após o sucesso estrondoso de Star Wars no fim nos anos 70/80, e de Harry Potter em 2000/2010, muito se questionou sobre qual franquia do cinema se igualaria a essas duas em termos de popularidade. E embora diferentes franquias, melhores e piores, tenham surgido no cinema nas últimas duas décadas, a mais relevante sem dúvidas foi Os Vingadores, que teve em Ultimato seu quarto e último capítulo. Vingadores: Ultimato é o resultado do ambicioso e bem planejado MCU, que teve como objetivo ser a maior franquia do cinema, contando com dois ou três filmes por ano de diferentes, “sub-franquias” que se mesclavam de tempos em tempos durante 11 anos, sempre nos apresentando aventuras divertidas ou confrontos grandiosos. O final dessa saga não pode ser mais satisfatório, apresentando uma aventura de viagem no tempo, ambientada no universo dos super-heróis Marvel e com direito a muito fan-service, fortes emoções, reviravoltas, um vilão inesquecível e a maior batalha final que o cinema já concebeu desde O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Uma despedida para essa franquia tão querida e um fechamento digno para esses personagens, que se tornaram ícones da atual geração.

- Sergio Gregorio Araujo Silva


8. Ad Astra - Rumo às Estrelas (James Gray, 2019)

A revisão mais tarde confirmaria o que veio com a experiência transformadora que foi acompanhar “Ad Astra” na estreia. James Gray filmando melodrama, elevando o conflito familiar ao máximo de potência imaginativa no seu cinema, revelando que temos um rumo sim: descansar nas coisas eternas após fazer o que tem que ser feito – ainda que para isso seja preciso atravessar o universo. Jornada pelo descobrimento lotada de percalços, essenciais para, a partir do enfrentamento das memórias, reacender na consciência do personagem a esperança nas verdades simples. É na aposta de uma narrativa como confissão que o diretor confronta os traumas, e através da investigação do que passou, do que era misterioso e se revelou, é que cada homem vai assumir seu lugar aqui.

- Caio Lucas Martins Matos


7. Nós (Jordan Peele, 2019)

Nós, de Jordan Peele. O "Doppelgänger" já foi representado sob várias formas e aspectos na história do cinema e Jordan Peele se apropria do tema para conjurar uma inteligente alegoria racial extremamente atual, confirmando-se como um dos cineastas de Hollywood mais talentosos e promissores em atividade. Mais complexo, metafórico e provocativo que seu trabalho anterior, o sensacional Corra (2017), Nós propõe uma interessante leitura sobre a delicada relação entre o privilégio/marginal e como o indivíduo é moldado por sua realidade, expondo assim o absurdo de termos como "meritocracia" numa sociedade desigual como a nossa. Mas deixando o contexto político-social da obra um pouco de lado, temos que dar crédito também para a complexa atuação de Lupita Nyong'o, essencial para o sucesso do projeto. O verdadeiro horror da obra está na constatação de que o mal que tanto nos aflige não reside em uma ameaça externa ou sobrenatural, mas no íntimo de cada um de nós.

- Luiz Fernando de Freitas


6. História de Um Casamento (Noah Baumbach, 2019)

Neste longa-metragem, chegamos à conclusão de que apenas o amor não é suficiente para sustentar um casamento, ao notarmos que as falhas humanas, as concessões e os arrependimentos que surgem por causa delas, além de alguns atos impulsivos, podem trazer consequências nada saudáveis a um matrimônio. É interessante como o cineasta Noah Baumbach inicia e termina a projeção, que concorre em diversas categorias na temporada de premiações de 2020, mostrando que a falta de diálogo e falas muito exasperadas podem minar toda uma rede de afeto e admiração.

- Trecho retirado aqui do site do texto de Victor Mendonça


5. Era Uma Vez em... Hollywood (Quentin Tarantino, 2019)

Era Uma Vez em... Hollywood. Esse que é o melhor de Tarantino desde À Prova de Morte (2007), ou seja, em mais de dez anos, é também um dos mais lindos filmes dos últimos tempos e, talvez, se cortasse aqui e ali alguns excessos, poderia figurar como o melhor da carreira do diretor e um dos grandes do cinema como um todo. O caso é que, diferentemente de tantos outros, em um filme de Tarantino a forma reflete o conteúdo e vice-versa, e o ápice do equilíbrio entre um e outro se dá nesse filme de arquétipos que, vejam só, traz os personagens mais sensíveis / humanizados já compostos pelo cineasta. Por isso o ponto alto de sua carreira, já que harmoniza perfeitamente sua paixão incontrolável pela imagem que se move com o que ela pode traduzir em sentimento. No fundo, Era Uma Vez em... Hollywood não passa de um conto em um mundo de mentiras, mas é um dos poucos filmes verdadeiros que temos por aí. Por onde se olha, encontra-se cinema. Não é algo tão fácil.

- Rodrigo Calhelha Junior


4. O Irlandês (Martin Scorsese, 2019)

Scorsese chegou numa fase da carreira em que não precisa provar nada a ninguém. Assim, vê-lo voltar a um gênero pelo qual já tem obras do calibre de Caminhos Perigosos, Os Bons Companheiros e Cassino parecia um retorno à zona de conforto. Mas ao final de uma sessão de O Irlandês, o que acabamos de testemunhar foi menos um filme de máfia e mais a desconstrução deste mesmo subgênero. Temos um filme de ritmo cadenciado, com tudo o que já nos acostumamos a ver em termos de técnica nos filmes de Scorsese, mas com outro foco. Em vez de uma história linear de ascensão e queda, temos aqui uma espécie de réquiem feita para o personagem de De Niro, que aqui entrega sua melhor atuação em décadas. Através das palavras de um idoso Frank, conhecemos seus arrependimentos e, o mais interessante, o remorso dele por não sentir remorso da atrocidade cometida com seu melhor amigo. O Irlandês é um grande estudo sobre a personalidade de alguém marcado pela violência. Nas palavras de Frank, eram apenas negócios.

- Carlos Eduardo


3. Coringa (Todd Phillips, 2019)

Todd Phillips já passeara pelos temas de ‘Coringa’ em sua filmografia pregressa. O principal ponto de aproximação é com o anarquismo niilista, desconfortável e violento de sua biografia de G.G. Allin, “Hated”. A alienação juvenil, o desconforto causado pela solidão, os impulsos e recalques sexuais, as doenças mentais, todos esses elementos de potencial destrutivo para o indivíduo foram ou negligenciados ou controlados por décadas através de uma forte repressão familiar e religiosa. A segunda década dos anos 2000, entretanto, caminhou no sentido de potencializar esses sentimentos – os padrões de sucesso inatingíveis do capitalismo agressivo levaram à formação de uma massa de indivíduos solitários e decepcionados. Em um século de desilusão política, pós-utopias, quando essa massa se inflama o resultado é o niilismo como estratégia política – violência e destruição como única forma de reivindicar uma voz. Não à toa, ‘Coringa’ nasceu com a estampa de filme-terrorista. Cinemas se recusaram a lançá-lo pelo medo de que se criasse uma ocasião para expressão concreta dessa destruição. Sejam quais forem as ações despertadas pelo filme, Coringa nasce como expressão de uma época. Um filme carregado de revolta e ódio, porém sem saber para onde direcioná-los. Um produto anti-sistema nascido no seio de um sistema e cooptando sentimentos para fortalecer esse sistema e não para de alguma forma modificá-lo ou destruí-lo. Em arte, não há revolução política sem revolução formal.

- Polastri


2. Bacurau (Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles, 2019)

Para além da reflexão sobre o avanço progressivo do reacionarismo brasileiro, outra temática tão ou mais importante, e que não teve o mesmo destaque nas análises da filmografia de Kleber Mendonça Filho, é a da memória. Pois se em "O Som ao Redor" a memória da violência intrínseca às gerações passadas era ignorada pelos personagens alienados da classe média (apenas se materializando no plano onírico da cachoeira de sangue), e em "Aquarius" a protagonista tenta de toda forma preservar a memória afetiva de seu lar ante o avanço inexorável da especulação imobiliária, é em "Bacurau" que a resistência da memória enfim atinge o ápice, dada a posição central que o museu histórico ocupa na narrativa. Superando até mesmo a igreja local (relegada a mero depósito) como o centro cultural de maior importância no povoado sertanejo quase utópico retratado, é no museu onde dá-se o clímax da guerrilha de defesa daquele povo contra os invasores estrangeiros genocidas. E em suas paredes, a curadora insiste, o sangue derramado deverá permanecer, para que o custo da luta dos desfavorecidos pela própria existência não seja esquecido.

- Helio Souza


1. Parasita (Joon-ho Bong, 2019)

A trama de Parasita se passa do outro lado do planeta, mas sua compreensão é universal. Bong Joon-Ho faz um uso singular de elementos de humor e horror, cria metáforas bastante críticas do mundo contemporâneo, falando de questões sociais, políticas e ambientais. E é claro que fala da Coreia, tanto da próspera e hiper-tecnológica, ao sul da península, quanto sua vizinha do Norte, pobre e sempre sob a ameaça de um conflito nuclear. De início, uma família que sobrevive em situação precária tem a oportunidade de tirar proveito do luxo e dos privilégios da família Park, que vive em uma bolha de alheamento, cobiçando o sonho americano e desprezando aqueles que não possuem a cara e o cheiro da riqueza. Depois do primeiro ato, o filme proporciona diversas reviravoltas, seguindo caminhos que o público jamais imaginaria e provocando uma espiral de mudanças que apenas comprovam o quão genial e autoral é este filme. Palma de Ouro em Cannes mais que justificada. Obra-prima!

- João Pedro Duarte


Os 30 primeiros lugares foram, com sua pontuação:

1. Parasita (3650)
2. Bacurau (2820)
3. Coringa (2650)
4. Irlandes (2590)
5. Era Uma Vez Em Hollywood (1890)
6. História de Um Casamento (1350)
7. Nós (1130)
8. Ad Astra (1040)
9. Vingadores Ultimato (970)
10. Dor e Glória (830)
11. A Vida Invisível (770)
12. A Favorita (760)
13. Dois Papas (520)
14. John Wick 3 (480)
15. Assunto de Família (430)
16. Entre Facas e Segredos (360)
17. Homem-Aranha No Aranhaverso (350)
18. Cafarnaum (350)
19. Midsommar (310)
20. Vidro (300)
21. Temporada (300)
22. Democracia em Vertigem (280)
23. Guerra Fria (260)
24. Rainha de Copas (240)
25. Divino Amo (240)
26. A Mula (230)
27. Green Book (230)
28. Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (220)
29. Anos 90 (210)
30. El Camino (210)


Votação original - 01/01/2020

Como é tradição no Cineplayers, segue um artigo para os leitores votarem nos seus filmes favoritos do ano, tendo sido lançado comercialmente no país, seja cinema ou streaming. Festivais ficam de fora, pois não são todos que podem acompanhar e não seria justo com eles e nem com os filmes, que teriam votos divididos entre 2019 e 2020.

Alguns pedidos especiais:

- São 10 filmes por usuário.

- Não fiquem conversando nos comentários. Isso facilita minha apuração.

- Usem o nome em português do filme.

- Cinema e Streaming apenas. Festivais não valem.

- Pontuação será simples esse ano, de 100 pontos para o primeiro lugar até 10 para o décimo.

Vamos colocar de prazo dia 7 e divulgação dia 11?

Comentários (127)

●•● Yves Lacoste ●•● | quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020 - 20:15

Deus do céu! É sério que ainda tá rendendo isso? Kkkkkkkkkkk. Deviam deixar Bacurau de lado e reclamarem do absurdo dos Vingadores no TOP 10, kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Davi de Almeida Rezende | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 23:26

Vingadores é trágico pq revela que os usuários mais assíduos não gostam de CINEMA. Só fingem gostar. Gostam de distração.

Walter Prado | quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020 - 20:56

E também a possibilidade de poder colocar o mesmo filme/pessoa mais de uma vez na mesma lista.

Alan Nina | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 14:43

Resumindo a discussão: a "utopia" era como queriam deixar o site, a "distopia" é como o site ficou. Essa pequena confusão tá incomodando muita gente! kkkkkkkkk
Eu adorei a lista, jamais colocaria "Os vigadores" (aliás, nem assisti e nem pretendo), porém, abarca muito a diversidade, gosto das posições contrárias, e leio bastante os comentários. Sobre interatividade, seria legal se aqui tivesse mais opções de "reações" (marcar se gostou ou não, por exemplo), porque tem MUITA gente que não faz texto, e essas opções mais "tímidas" talvez "ESTATISTICAMENTE" falando, desse a dimensão de que muita gente utiliza e CONSOME o conteúdo do site sim!!

Carlos Eduardo | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 16:12

Antigamente tinha o like/deslike e não vi nenhum valor agregado.

Sergio Gregorio Araujo Silva | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 16:28

"jamais colocaria "Os vigadores" (aliás, nem assisti e nem pretendo)"- De fato seria bem antiético colocar na sua lista pessoal de Melhores Filmes, uma obra que você nem assistiu.

CitizenKadu | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 20:31

O dislike era bom na época em que esse pessoal meio "pussy" dava dislike naquilo em que eles não gostavam, como meus comentários, que incomoda eles e fazem eles querem me banir e caírem no ridículo como se não fossem burros o suficiente. Vamos fingir que eu gostei de "Bacurau" para os retardados entenderem; gostei do filme mas eu sei que é uma distopia por motivos óbvios. Então vem alguém e escreve um texto onde ele erra chamando um filme que é pra ser uma crítica social em cima de um background distópico, e diz que o sertão do filme é "quase-utópico". E daí tem minhas putas, que insistem em mostrar que são burras fingindo não saber o foco da minha crítica, como aquela garota que finge não gostar de você mas a vontade, porque na verdade ela quer que você coma ela.

CitizenKadu | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 20:35

Vocês não tem vergonha de quererem "dar nos meus dedos", como aquele idiota achando que "like" e "dislike" é a mesma coisa que estatística. Chega a dar vergonha alheia um imbecil usando caps lock pra usar a palavra estatística pra "me responder", mesmo sendo eu que estudei Estatística tanto em Administração quanto em Análise de Sistemas e Computação. É por isso que eu prefiro ser arrogante do que uma bitch.

CitizenKadu | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 20:38

Eu me pergunto se essas pessoas que ao invés de contribuirem como sugestões ou com uma opinião bem fundada sobre o que pode ser melhorado no site com eu fiz, além de ficarem com as bolas do site na boca como putas que são, têm acesso às tais estatísticas....pfffff. Minha única real crítica ao site é que tinha uma época em que havia uma maioria inteligente aqui;agora é um monte de moleques punheteiros que não sabem nada sobre arte ou sociedade e possuem uma sensibilidade de borboleta.

Davi de Almeida Rezende | sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020 - 23:28

Vcs abusaram desse Kadu aí na infância? Pqp, q porra loka chato. Polui a discussão.

CitizenKadu | sábado, 25 de Janeiro de 2020 - 00:58

"agora é um monte de moleques punheteiros que não sabem nada sobre arte ou sociedade ..."

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