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Copacabana Madureira

(Copacabana Madureira, 2020)
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Críticas

Cineplayers

Cine-remix

8,0

Existe um cinema clássico-narrativo que vem sendo "enfrentado" por uma cinefilia disposta a elaborar novas formas de análise imagética para crises das mesmas. Essa cinefilia é herdeira de Luiz Rosemberg Filho, ao mesmo tempo que acessa uma profusão de imagens produzidas ininterruptamente e que precisam estar desenvolvendo a elaboração de narrativas a partir das mesmas. Com o golpe instaurado no país, jovens cineastas como Leonardo Martinelli se sagram graças à ressignificação dessas imagens que todo tipo de categorização social coletiva tem produzido. 

Leo já tinha ensaiado um movimento de olhar os ambientes virtuais e o nascimento de relações ditas modernas - e que só mascaram realidades antiquadas - em Lembro. Dessa vez, o realizador capturou suas próprias ideias narrativas para produzir material a partir de um outro já existente e de qualidade realçada graças ao seu trabalho de montagem e agudeza de observação. Ainda que vez por outra uma certa ingenuidade se instaure no resultado, não há como negar o ímpeto de reverberar a História através do acervo que a mesma gerou, com vibrante comunicação.

Muitos puristas não conseguem absorver que o cinema não é feito de releituras imagéticas, e que o cinema está constantemente se reinventando enquanto linguagem, na sua estrutura e na sua concepção. Leo, aqui, é mais um dos tantos cineastas que realizam cinema a partir da composição de material prévio, mas não apenas. Copacabana Madureira tem, sim, cenas criadas exclusivamente para ele (e as da "mamadeira de piroca" são especialmente elaboradas), e é da remixagem entre o que já vimos e o que ainda iremos ver que nasce essa piada política repleta de assustarora verdade.

Partindo do pressuposto de que a política vem sendo decidida bem longe do campo político, o filme rivaliza diversas vozes, coloca a igreja no centro da discussão (e não apenas a evangélica), e principalmente tenta colocar em xeque dois lados da questão, como o próprio título sugere. Em um canto, a classe média alta que difundiu fake news políticas; do outro, os alvos de bala perdida, os que saem todos os dias das comunidades sem saber se voltam. O filme não os afasta em intenção, apenas indica o quanto esses universos só se afastaram ainda mais nos últimos anos.

A tentativa de rejuvenescer uma arte mutante por si só e a profusão de provocações por segundo que captura e regurgita de volta no espectador, indo de Pabllo Vittar a "guerra de hashtags", coloca Copacabana Madureira num lugar de humor político que convida à reflexão, como toda excelente comédia sempre o fez. Com uma carreira ainda muito jovem e com títulos que ampliam sua visão cinematográfica ao mesmo tempo que sacode sua poeira, Leonardo Martinelli tem fôlego para tentar ir a lugares cada vez mais experimentais e continuar criando um desafio particular de manter em si as mesmas características que estão formando esse cineasta tão instigante.

Crítica da cobertura da 23ª Mostra de Tiradentes

Comentários (5)

Caio Lucas | terça-feira, 28 de Janeiro de 2020 - 16:09

Jornalista cultural bajulador pode até ser.

Rique Mias | quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020 - 17:59

Por que do "Leo"??? É o apelido do Carbone??

CitizenKadu | sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020 - 13:38

Aqui a gente vê e percebe, que ao contrário das bitchies, as pessoas que criticam um crítico ou um texto o fazem por pelo menos ter lido o texto, e são portanto, parte do nicho que lê cada texto. As bitchies enxergam uma treta nos comments e correm como matronas para saber o " o que aconteceu agora?", com os cotovelos dos braços gordos escorados na janela, vendo os transeuntes voltarem da rotina do trabalho ao pôr do sol de uma paisagem do Brasil de José de Alencar e Jorge Amado, e depois retornando à inutilidade de ser apenas uma bitch.

Rique Mias | sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020 - 13:39

Hahaha.. ainda tá magoado o Kadu, enfim..

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