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Predadores Assassinos

(Crawl, 2019)
6,5
Média
28 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Uma luta por sobrevivência rápida, rasteira e ocasionalmente divertida

5,0

O francês Alexandre Aja debutou em 2003 com o filme Alta Tensão, que imediatamente se tornou um dos destaques principais do que se convencionou a chamar de “Nova Extremidade Francesa”, uma onda de filmes do país que produziram trabalhos dramáticos e com alta dose de violência gráfica, se tornando talvez o mais bem-sucedido comercialmente ao ir para os EUA filmar Viagem Maldita, remake do clássico Quadrilha de Sádicos, de Wes Craven. Seguiram a comédia de horror Piranha 3D e a fantasia sombria Amaldiçoado, entre outros destaques. E após o suspense A Nona Vida de Louis Drax ter uma recepção morna, Aja lança Predadores Asassinos, seu novo filme de “horror natural”.

Hoje, Aja é um dos nomes mainstream do “terror de shopping”, que de quando em quando conseguem emplacar projetos de algum destaque no cenário, como os espanhóis Fede Alvarez (O Homem nas Trevas) e Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera). Aliás, do último ele parece ter assistido Águas Rasas e feito sua versão “água doce”, pois podemos encontrar várias semelhanças aqui: Haley (Kaya Scodelario, de Skins) é uma aspirante a nadadora esportiva com família distante, que ao buscar o pai (Barry Pepper, de O Resgate do Soldado Ryan) durante uma ameaça de furacão, acaba presa com o mesmo no porão da antiga casa da família. E já não bastavam os fortes ventos e a inundação progressiva, jacarés de uma reserva ambiental próxima escapam e resolvem aproveitar a enchente para lanchar seres humanos.

Predadores Assassinos é rápido e rasteiro, feito com dois atores, com menos de uma hora e meia de duração e o resultado já se pagou, lucrando (até agora) U$S 86.6 milhões contra um orçamento modestíssimo de US$ 13.5 milhões. Se cumpre o que promete? Aí a história talvez já seja outra. 

Apesar das críticas mais positivas como “satisfatório e divertido”, a bem da verdade o filme sofre com alguns problemas sérios, como um Aja definitivamente menos inspirado na condução: depois dos dois primeiros jumpscares, o filme deixa de possuir qualquer tensão (ao menos para os mais experimentados no gênero) e quando os elementos surpresa já estão plenamente estabelecidos (furacões, enchentes e jacarés), não tem muito mais grandes eventos e por muitas vezes parece caminhar em círculos: os protagonistas conversam, tem uma ideia nova e tentam executá-la enquanto escapam das mordidas. Pela falta de novidade, parece que a duração de 87 minutos é até demais.

Outro ponto a ser destacado é que o filme se leva um tanto a sério. A relação culpada dos dois familiares remete justamente ao citado Águas Rasas e as dívidas afetivas que a personagem de Blake Lively carregava consigo enquanto tentava escapar de um tubarão. Curioso que no meio de um filme defendido como “diversão em escapar de jacarés” tenham tantas cenas valorizando a importância da família, da empatia entre pai e filha e dramáticas confissões de parentes alienados - e que o maior culpado, o pai, receba (talvez por “castigo da natureza”?) muito mais castigos físicos do que a filha, a personagem-sobrevivente genérica da vez, que uma vez que encontra o pai resolve os rancores com relativa rapidez e parte para a luta contra os répteis mordedores.

Talvez seja perda de tempo para alguns dissecar como trata o drama de seus personagens em um filme sobre fugir de bichos e da natureza, alguns podem afirmar. E o terror? E a violência? E a tensão? Bom, Aja tem certa engenhosidade para filmar bobagens - e Piranha 3D é um exercício quase que demencial de comédia sangrenta - mas não temos muito disso aqui. A sequência do banheiro ou do estouro de represa certamente empolgam por serem quase vertiginosas em sua condução, mas o resultado é geralmente morno à medida que os personagens progressivamente se tornam matadores profissionais de monstros famintos.

Ou seja, para quem não se fia muito à trama, Predadores Assassinos irá divertir (apesar da ocasional falta de lógica - a protagonista sofre menos com as mesmas mordidas que outros personagens), mas tem uma força tão modesta que é inevitável esquecer algumas semanas depois. Entrega ocasionalmente o que promete, tem alguns insights divertidos (como a transmissão de rádio descrevendo a atitude de alguns dos cidadãos da Flórida de tentar atirar no furacão), mas nunca se eleva muito acima disso. E precisa, perguntam alguns? Aí o julgamento, como sempre, é do espectador.

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