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Críticas

Cineplayers

Um término digno para a gloriosa trilogia, que deixa um triste ar de despedida e saudade.

9,5

Uma obra literária de ficção fantástica provavelmente nunca obteve tanto sucesso mundo afora. Assim que foi lançada, a trilogia O Senhor dos Anéis arrecadou elogios dos mais variados gostos, e, com eles, vieram também inúmeros fãs. Anos se passaram e, finalmente, a magia e o encanto que conquistaram o mundo foram transportados às telas do cinema.

Como o próprio diretor Peter Jackson admitiu, o projeto de ver O Senhor dos Anéis em vídeo era um sonho, algo que há muito ele mesmo gostaria de apreciar. Assim, podendo ser considerado um fã, Peter Jackson lançava-se numa iniciativa arriscada, passível de erros graves que poderiam arruinar a reputação da obra. A vontade e a determinação, porém, foram mais fortes.

Quando o primeiro filme, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, chegou aos cinemas, percebeu-se que, na verdade, o diretor neozelandês preparava-se para lançar os espectadores a uma jornada grandiosa, cuja introdução fora marcada por boas atuações e uma produção técnica impecável. A continuação, com o título de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, superou o filme anterior e mergulhou em efeitos realmente assombrosos, com batalhas geniais e um ritmo frenético, chocante, que deixou muitos espectadores - e fãs, naturalmente - paralisados.

Assim, Dezembro de 2003 chegou com um ar de tristeza, um ar de despedida. A trilogia O Senhor dos Anéis preparava o seu fim. Tido como o livro preferido de Peter Jackson, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei era esperado com uma ansiedade que contagiava a todos, fãs ou não. E foi exatamente nesse ar de choque, de fôlego suspenso, que os espectadores foram presenteados com outro grandioso filme.

O enredo, assim como na obra literária, é dividido em dois: de um lado, Frodo, Sam e Gollum marcham em direção a Mordor, a fim de destruírem o Anel. De outro, o resto da Sociedade ocupa-se com as conseqüências da jornada: batalhas eclodem aqui e ali, em Minas Tirith, Campos de Pelennor e nos Portões Negros.

Percebe-se um grande esforço por parte dos atores em transmitir ao máximo a personalidade única de suas personagens. Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies), embora tenham sua amizade explicitada, parecem ter sido meio omissos a fim de que Aragorn (Viggo Mortensen) e Gandalf (Ian McKellen em mais um banho de atuação) ficassem mais evidentes. A história da elfa Arwen, interpretada (?) por Liv Tyler, adiciona romance à obra e já não parece tão desconexa. Elijah Wood (Frodo) e Sean Astin (Sam) superam-se em suas atuações, transmitindo o sufoco de sua árdua viagem. Personagens secundárias também chamam a atenção, fechando com chave de ouro a composição de um elenco admirável.

Os esforços da produção técnica tornam-se visíveis no figurino primoroso, nas locações selecionadas a dedo, nos efeitos especiais de paralisar corações e nas melodias em perfeita harmonia com as cenas. É claro, é nas cenas de guerra que a presença de todo esse trabalho se faz mais visível: enquanto criaturas computadorizadas passeiam pelo campo de batalha e flechas voam, um certo elfo faz uma de suas estripulias sobre um olifante, uma mulher arrisca um gesto heróico no campo de batalha e um "exército dos mortos" desliza pela paisagem como uma névoa de formigas. Também impressionam os detalhes inseridos cuidadosamente nos cenários, que completam o ambiente medieval (e ainda assim fantasioso) da obra.

Infelizmente, nem tudo é um mar de rosas. O ritmo da película às vezes sofre desequilíbrios, com alguns diálogos demorados e cenas eventualmente lentas, cuja maior presença encontra-se na história de Frodo e Sam. Por mais que seja preciso evidenciar o sufoco da jornada, gastou-se mais tempo do que o necessário para que dois hobbits rastejassem até a Montanha da Perdição, tentando despistar um Gollum insistente e possuído. Mesmo sendo o clímax da história, as últimas cenas envolvendo o Anel arrastaram-se de modo sofrido, quase parando. Porém, o ritmo seria ainda mais desequilibrado se não fosse pela sábia decisão de Peter Jackson em cortar um dos últimos capítulos do livro, referente a acontecimentos infelizes no Condado. Para tal, o diretor manteve o personagem Saruman afastado durante todo o filme, preso numa torre vigiada, o que posteriormente anulou um verdadeiro anticlímax da obra.

Com qualidades que superam defeitos, O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei mostrou-se um término digno para uma trilogia grandiosa. Mesmo que ainda paire no ar aquela sensação triste de despedida. Certamente haverá outras adaptações do mesmo porte de O Senhor dos Anéis - tudo graças à determinação invencível de Peter Jackson.

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