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Os melhores filmes de horror da década de 2010

Cinéfilos gostam de listas, isso é fato. Raros são aqueles que resistem ao fim do ano, por exemplo, sem fazer o seu ranking de melhores filmes. Datas comemorativas também são um bom motivo — e a junção disso tudo que faz a presente data um bom dia para um grande especial de melhores do cinema.

Hoje é Dia das Bruxas, lúdica celebração que o brasileiro importou (e abraçou) do mundo anglófono. E é também o último Haloween da década. Pauta pronta: dia de listar os melhores filmes de terror dos anos 2010. O que conta é a data de lançamento no Brasil, e vale tanto para a distribuição comercial nos cinemas, como em todas as outras mídias disponíveis no país, além da exibição dessas obras em festivais.

Para isso, reunimos não somente a equipe, como também convidamos leitores do site, ex-membros do Cineplayers e profissionais de ensino, pesquisa, crítica e curadoria com especialização no gênero. Em comum, portanto, o máximo apreço de todos por um bom filme de terror. Seja o tipo de horror que for: filme de zumbi, de época, sobrenatural, thriller policial, faroeste, slasher... e pós-terror, seja lá o que isso significa.

Tal variedade resultou em 130 longas-metragens, das mais diferentes cinematografias, apontados como os melhores dos anos 2010-19. Um deles vem sendo exibido em circuito restrito nessa semana e só chega ao circuito em janeiro: O Farol, visto por apenas três participantes, escolhido por todo o trio para integrar a lista e que por pouco não entrou no ranking final. Já o primeiro filme de seu diretor, Robert Eggers, foi tão votado pelos participantes que conquistou uma posição privilegiada no ranking final.

Outra curiosidade que você encontrará a seguir é uma exceção. A regra era clara: "filmes apenas, longas-metragens". Mas a comoção foi tamanha que fizemos uma menção honrosa ao que vários participantes apontaram como a maior obra de horror dos últimos 10 anos: uma incrível temporada de série, pensada como um longo filme por seu realizador, um mestre do cinema de terror (já sacou, né?).

Enfim, descubra isso e muito mais abaixo. Esses são os 20 melhores filmes de terror da década de 2010 segundo o Cineplayers. Para cada, um texto que sintetiza as suas qualidades. Vem com a gente e manda você também sua lista com 10, 20, 50 obras de horror que você mais curtiu nesse período. E prepare o caderninho, porque tem muita coisa boa que você não viu em nossas listas — principalmente nas individuais, ao final. Confira!


Os melhores filmes de horror dos anos 2010

20. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler

Fita de estreia do diretor S. Craig Zhaler que insiste na violência brutal como expiação para a podridão que era o Velho Oeste. Aqui há um trabalho esperto de roteiro estipulando uma tensão narrativa, num preparo no que tange ao porvir dos finalmentes. O desconhecido escroto à espreita. Há um investimento em personagens carismáticos que segurassem a longa duração até o desfecho. Essa é uma tática foda, quando tu pões a apreensão sempre presente com figuras expressivas ao redor, numa fotografia linda do oeste americano, como um bálsamo antes da destruição. Algo que faz o horror ser ainda mais chocante. A manipulação do cinema é uma maravilha. Não busca renovar gêneros, ou qualquer fuleiragem que o valha, mas quer uma junção dos mesmos, extremando no terror. O que o americano médio, fã dos faroestes de outrora, imaginava dos seus nativos. Monstros assassinos viciados em whisky. Cita, mas não busca nem aprofundar esta questão. Não precisa, a imagem já nos dá isso de presente. O horror é o que precisamos. E o recebemos em doses cavalares. Sangue, escalpos, tiros e tripas.

Ted Rafael


19. Pânico 4 (2011), Wes Craven

Talvez não o melhor ou o mais inovador filme de terror da década, Pânico 4 pode ser considerado hoje o mais importante e consciente trabalho do gênero dos últimos anos. Primeiro por fechar um ciclo iniciado pelo próprio Wes Craven lá em 1996, quando o mestre fez um balanço e deu uma repaginada na fórmula do cinema de horror americano jovem; e segundo por oferecer esse mesmo tipo de perspectiva sobre o que se transformou o gênero diante dos mecanismos de comunicação global e instantânea da geração atual. Ainda dentro do formulaico, Craven prova as possibilidade criativas que existem no slasher e dá seu canto de cisne com um filme-testamento que ao mesmo tempo satiriza, reinventa e moderniza algumas estruturas que poucos na história do cinema foram capazes de repaginar — e por mais de uma vez ao longo de quatro décadas. Após a morte do diretor em agosto de 2015, o cinema de horror se encontra pela primeira vez em muito tempo no perigo de jamais ser radiografado e radicalizado dentro de seu próprio universo.

Heitor Romero


18. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari

Entre bombas que explodem por todos os cantos, uma mudança social radical e extrema suprime direitos. É nessa realidade que uma mulher tenta sobreviver sozinha e vê sua filha pequena se aproximar de um regime de exclusão e discriminação das mulheres. Babak Anvari marca sua narrativa com símbolos tradicionais como os djins, demônios muçulmanos, e o chardor, véu que cobre as mulheres, e os concilia bem com elementos que demarcam a guerra e os resquícios da influência da cultura capitalista ocidental. Sob a Sombra encontra um bom ritmo, com cenas de susto bem pontuadas e uma tensão crescente, mas é mesmo na metáfora que está aquilo que o torna indispensável. Ser mulher e ter uma filha mulher, naquela situação, significou e perturbou muito mais do que poderia parecer, mas ninguém estava prestando atenção.

Cecília Barroso


17. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan

É incrível como o poder da fé nos filmes de M. Night Shyamalan entrelaça a fabulação e potencializa o que se propõe a ser. Aqui, um filme de sequestro aparentemente simples começa a se transformar no mais puro horror quando conhecemos a verdadeira natureza sobre-humana do vilão em questão, vivido brilhantemente por James McAvoy. O indiano exige um pouco mais de paciência de quem assiste ao filme, pois constrói sem muita pressa todo o misticismo da besta, fortalecendo a crença dos personagens neste ser superpoderoso. Se Casey Cooke (a excelente Anya Taylor-Joy) é a personagem que funciona como um fio de ligação, a personagem que faz tudo funcionar perfeitamente talvez seja a Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley, espetacular), psicóloga que cuida de Kevin. Boa parte de Fragmentado me parece conduzida como uma sessão na qual a doutora nos leva para o caminho que ela acha melhor até nos deixar às cegas com sua fé na ciência abalada com a presença da besta. No fim, Casey se mostra a pessoa ideal para confrontar a besta: alguém que possui uma certa dificuldade se ligar completamente às pessoas ao seu redor, mas que é uma verdadeira sobrevivente, que carrega tantos traumas e usa isso como combustível para sua coragem. Ela exerce na besta uma fascinação semelhante à que a criatura exerce nas pessoas que a conhecem. Eles se identificam e parecem ter uma ligação bastante incomum. E a ausência de uma catarse ao fim talvez torne o olhar de Casey ao final do filme tão intrigante e desolador ao mesmo tempo.

Francisco Bandeira


16. Hereditário (2018), Ari Aster

Os alicerces de uma estrutura familiar são desestabilizados ao mesmo tempo que têm suas origens esclarecidas, nessa estreia de Ari Aster. Ao reintegrar o sagrado (família) e o profano (uma oligarquia maligna) e conjugá-los como um só, a direção propõe um olhar aproximado, quase íntimo, sobre um grupo em mutação, mãe e filho, que em breve não o serão mais. Indo da inocência infantil até o entendimento mais claro a respeito da sua missão, Hereditário se molda a partir de um drama muito profundo a força para sagrar sua violência, uma força destrutiva que age sobre um núcleo desde a sua base — não humana, simulacro de realidade — até a flor da pele, transformando a dor da perda em fúria incontrolável, em um final tão catártico quanto celebratório da ascensão do horror na sua forma mais pura.

Francisco Carbone


15. Sobrenatural (2010), James Wan

A capacidade do diretor malaio James Wan de se reinventar dentro do gênero que lhe trouxe fama – é dele o primeiro Jogos Mortais, em 2004 – mostra seu talento para colocar no papel (ou, no caso, na celulose) os medos dos espectadores. Sobrenatural saiu no comecinho da década, em 2010, e, enquanto o argumento e o roteiro são até rasos demais, a construção da atmosfera, com fotografia em tom adequado, silêncios bem espaçados e – o que parece ser mais difícil para os diretores da atualidade – mostrar somente o mínimo necessário para que o horror comece a ser construído na tela, mas termine sendo imaginado (sugerido) na mente de quem o assiste, é a marca do filme. A expressão “de gelar a espinha”, tão velha e conhecida, poucas vezes foi tão bem implementada quanto nesta obra, que ganharia várias sequências inferiores nos anos seguintes.

Alexandre Koball


14. Trabalhar Cansa (2011), Marco Dutra e Juliana Rojas

O horror brasileiro contemporâneo tem frequentemente recorrido a alegorias da realidade social do país na construção da experiência particular de medo, tensão, conflito ou, enfim, terror propriamente dito de cada filme. Trabalhar Cansa, além de se incluir nesse conjunto de longas, potencializa a possibilidade de uma leitura crítica das relações econômicas e de trabalho a partir do gênero. Mais do que isso, o filme nos envolve nas sensibilidades terríficas que perturbam o corpo dos personagens, um casal de classe média em São Paulo que procuram reconstruir a própria vida como “empreendedores”. Fazendo-nos compartilhar das frustrações e anseios dos personagens, a obra nos permite confundir suas diferentes experiências de terror, dos segredos guardados nas paredes do estabelecimento recém-adquirido por Helena (Helena Albergaria) ao grito em coro dos homens de uma classe média falida, em terno e gravata, desesperados por uma afirmação de si.

Cesar Castanha


13. A Pele Que Habito (2011), Pedro Almodóvar

Almodóvar partiu do romance "Tarântula" para fazer a versão sexual do clássico Os Olhos Sem Rosto, de Georges Franju. Onde Franju fez um romântico pesadelo gótico onde o pai tenta reconstruir a beleza da filha, Almodóvar fez um filme sobre um homem destruído pelas circunstâncias que se perde na própria vingança, apaixonando-se pela própria cruzada, onde seu algoz que se torna vítima, onde identidades de gênero são testadas e confundidas. Nunca seu colorido foi tão macabro e nunca sua violência foi tão bizarra na coleção imagética mais evocativa já produzida pelo mestre espanhol. O horror de cientistas loucos e cobaias confusas expandiu os horizontes de Almodóvar de forma impressionante.

Bernardo D.I. Brum


12. Kill List (2011), Ben Weathley

Ben Weathley compete com Nic Pizzolato e seu True Detective pelo posto de obra definitiva do gender-bending dessa década. A torção do filme de crime para o horror deixa o noir da coisa toda ainda mais escuro, com os assassinos se deparando lentamente com algo que não deveria existir. Sóbrio, sombrio e seco, o filme é uma caminhada inexorável em direção ao horror, que chega inesperado enquanto sugestão e se estabelece tijolo por tijolo. Injustamente desconhecido pela maioria do grande público, Ben Weathley tem visões do cinema de gênero ao mesmo tempo classicista e pessoal, sabendo jogar com expectativas e revertê-las ao seu gosto pessoal: o macabro final faz rilhar os dentes de quem achou que tinha visto de tudo nos minutos anteriores. Pequena grande pérola da história recente do gênero.

Bernardo D.I. Brum


11. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon

O percurso duro da vingança oriental. Quem diabos é o monstro? A pergunta mais cabal e intrigante que percorre a trajetória desta fita coreana, que trabalha com a tensão física na mesma proporção de perturbação psicológico-mental que insere nos seus personagens doentios. Não há aqui concessões bonitinhas ou vingançonas farsescas. Há a brutalidade seca movida pelo instinto de revolta. Algo primário nosso, vivo e pulsante, que fica no aguardo de ser solto. Na verdade, é o encontro dos instintos. O assassino com o vingador. Movidos pela violência interna que se manifesta mediante tanto por pressões escrotas, quanto por uma maldade imbricada internamente. Sobre esta última, somos constantemente imbuídos a escondê-la por questões óbvias de convívio coletivo. Eu Vi O Diabo funciona porque assume a postura de que o instinto pode prevalecer à razão, principalmente quando motivado para tal. Kim Jee-woon faz questão de rebolar isso na cara do espectador, que se abre para o espectro de criatura bestial, independentemente para quem torça. Mas, para a alegria de uns e tristeza de outros tantos, estamos abarrotados de monstros.

Ted Rafael


10. O Babadook (2014), Jennifer Kent

“Ba-ba Dook! Dook! Dook!”. O que é essa batida que soa à porta do armário do quarto de Samuel (Noah Wiseman)? O garoto mora sozinho com sua mãe, Amelia (Essie Davis). Não há ninguém além dos dois nessa casa, o pai de Samuel morreu em um acidente. O mundo habitado por Samuel e Amelia é reduzido a eles dois, o que já é por si só uma experiência bastante claustrofóbica. Mas o “Dook! Dook! Dook!” continua a soar na porta do armário, e essa claustrofobia se intensifica. Em O Babadook, a diretora Jennifer Kent realiza, a partir do horror, uma releitura de uma experiência muito específica de solidão e maternidade. Imagine um monstro no armário de Jeanne Dielman, escondido nas histórias que ela conta para seu filho dormir. Imagine uma mulher que ela mesma não dorme; está só em sua casa e ainda assim não suficientemente sozinha. Na cama, tentando escapar daquele espaço, ela continua a ouvir: “...Dook! Dook! Dook!”.

Cesar Castanha


9. O Lamento (2016), Na Hong-jin

Toda atenção voltada para O Lamento, antes de ser pouca, é ainda e sempre insuficiente: não será preciso chegar à metade do filme para se perceber no pânico sem-fim das dúvidas que se bifurcam. Não há arautos, aparições, doenças ou rituais que não se estilhacem logo em seguida por falhas “humanas” que vão desaguar numa questão que quase sempre passará despercebida ao gênero: a crença. Crê-se junto ao protagonista, ou cada um formulará seu sistema de suposições próprias? Porque sabemos bem que o horror é permeado de vícios oculares que colocarão o espectador como aquele que sabe minimamente “um pouco mais”, uma vez que vê o que o que aqueles sujeitos não veem, Hong-Jin faz da duração do filme um escudo e uma pressão em aumentativo: a carne sucumbirá com o tempo marcado pela maldição engatada pelo estrangeiro, e, no entanto, tudo parece falar pelas charadas e desvios daquilo que é mágico. Um a um, apodrecem todos de dúvida e de possessões. Filme inesgotável, pesadelos dos mais labirínticos.

Felipe Leal


8. A Visita (2015), M. Night Shyamalan

Após experiências traumáticas na condução de dois blockbusters produzidos pela Disney, Depois da Terra e O Último Mestre do Ar (nem de longe tão ruins quanto sugerem suas reputações), Shyamalan renasceu para os fãs com este pequeno conto de horror found footage, gênero àquela altura desacreditado em virtude da enxurrada de filmes da série Atividade Paranormal e afins entupindo as salas de cinema toda semana. O formato, porém, adequou-se perfeitamente aos temas e às intenções do diretor, um autor fiel ao poder encantatório da fábula, que faz uso dos seus recursos elementares para representar em tela os dramas e traumas pessoais das personagens. É por meio deste olhar apurado que uma simples viagem de dois adolescentes para conhecer seus avós, dos quais nunca haviam visto uma imagem sequer, é transformada em um pesadelo material repleto de metalinguagens. Elemento chave da dramaturgia, a câmera dentro da cena transforma os jovens em cineastas e protagonistas de sua própria fabricação de imagens (condição sine qua non das novas gerações), e o filme visto em um desafio que constantemente inclui o olhar do espectador no centro do horror porém com um senso de dramaticidade e comicidade que normalmente falta a filmes do estilo. Um coming-of-age em que a cena é inteiramente controlada e ressignificada por essas duas figuras centrais e sua interação com os horrores que os afligem, mesmo quando isso significa filmar o próprio choro no espelho ou seu rosto sendo encoberto por uma fralda cheia de merda. Filmes de férias, vemos aqui, podem ser igualmente divertidos e aterrorizantes.

Daniel Dalpizzolo


7. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer

Identificar Sob a Pele como um filme de terror deve necessariamente antes passar por sua identificação como um filme de ficção-científica. Como ficção científica, Sob a Pele reflete sobre as outras possibilidades do corpo, possibilidades estas que não sejam limitadas pelo realismo. Como horror, Sob a Pele estranha o corpo que descobre nessa busca e nos permite se apavorar diante dele. Mas são, ainda, as contradições do corpo que mobilizam o filme produzindo, enfim, uma pergunta recorrente ao cinema de ficção-científica: o que significa ser humano e, mais do que isso, o que significa encenar esse ser humano no cinema? Somos introduzidos ao universo de Sob a Pele como um universo de forma, luz e cor. Um universo que se materializa no contraste do preto e do branco, os extremos da luz, que, articulados no filme, produzem a superfície audiovisual sobre a qual percorre a personagem de Scarlett Johansson e sobre a qual se desdobra a trilha sonora de Mica Levi. Da sua própria forma audiovisual, o filme traduz o humano como um artifício de visualidade, um ser constituído por uma luz oscilante, como a da projeção do cinema.

Cesar Castanha


6. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa

Kiyoshi Kurosawa parte de dramas pessoais terrenos, até simplórios, para transformar um subúrbio residencial solar do Japão em um local sinistro e cinematográfico. O realismo em cena se dilui conforme o cineasta manipula a forma: dispensa a montagem e corrige o quadro com o zoom, desloca a câmera de forma lúgubre ou severa, atirando-a em um contra-plongeé para os céus, invade os nossos sentidos com uma trilha perturbadora, dá vida própria à iluminação de acordo com a dinâmica de um interrogatório ou as oscilações de um vilão bipolar, ora comum, ora macabro. Kurosawa brinca de fazer cinema: seja o seu, empacotando pessoas a vácuo para reiterar uma filmografia toda feita de dar vida própria aos objetos (a lâmpada que se energiza sozinha e estoura em Loft) e reificar pessoas, de modo a transferir o poder que elas deveriam ter sobre si aos seus algozes e, em termos de procedimento, ao horror da obra; seja de fazer Cinema, arte essa capaz de, com um simples toque ou farfalhar de plantas, alterar todo o foco da cena, ressignifcar o espaço, manobrar o olhar e as sensações do espectador, impor o metafísico a um suspense até então verossímil, transformar a experiência audiovisual em algo absolutamente imprevisível. Como deve ser: o inexplicável e a fantasia são essenciais para se fazer cinema de gênero. Kurosawa sabe disso e abusa. No rear projection que embala personagens entorpecidos num carro que "voa" sob um céu em tempestade ("Hitchcock, é você?"). No psicopata espalhafatoso, ilogicamente implacável, que mora num verdadeiro matadouro e parece intocável. Na habilidade de usar tudo isso para esmagar os nervos do espectador. Forjando o absurdo para máximo efeito estético, narrativo e psicológico. Ao usar a via do desconhecido para transformar Creepy numa experiência realmente assustadora, arrepiante — numa lição de horror.

Rodrigo Torres


5. Invocação do Mal (2013), James Wan

Dentro da vastidão de temas que o horror pode abordar, gerando premissas cada vez mais criativas e até mesmo classificações como "pós-terror", muitas vezes um filme que não se envergonha em abraçar clichês acaba sendo subestimado. Ora, os temas de exorcismo e possessão já foram usados à exaustão, não é mesmo? Mas e quando o básico, o feijão com arroz, funciona que é uma maravilha? Invocação do Mal mostra porque James Wan é um dos mais competentes cineastas do gênero atualmente. Passando pelo jogo de câmera, a eficiência em usar a casa mal assombrada em prol da elegante mise-en-scène, o drama familiar encabeçado pela ótima Lili Taylor e chegando até a dupla de protagonistas. O resultado é uma atmosfera invejável, fazendo até com que palmas e uma boneca de pano imóvel pareçam amedrontadoras.

Italo Lobo


4. Nós (2017), Jordan Peele

Partindo de um conceito mais ou menos explorado — pessoas-toupeira, uma lenda fantástica moderna advinda do desconforto urbano , Jordan Peele faz um filme sobre dualidade cujo grande trunfo é jogar com "contraclichês", trabalhando com o que conhecemos com uma construção invertida. Lupita é a chave para fazer esse jogo entre familiar e desconhecido funcionar, comovente e repulsiva enquanto humana ou monstro. O resultado é uma das elaborações de atmosfera mais únicas da década, onde a lentidão da preparação, a ação da caça e o humor inesperado coexistem de maneira fluida em sua sensação desconfortável de algo errado por trás da convenção. Com uma imagem mais impressionante que a outra, Nós é apenas o segundo filme de Jordan Peele e já confirma seu status como voz icônica de sua geração.

Bernardo D.I. Brum


3. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell

É bem possível que nenhuma outra nervura entranhada no horror americano pulse tanto, em sua digladiação intrassocial, quanto aquela que ata o sexo a uma figura – uma transição que a família nunca consegue solucionar ou estancar – chamada juventude. Mas em Corrente do Mal já não é o sonho e o adormecer (Krueger), ou mesmo o ininteligível e o sacrificial (Myers), que desata o dispositivo de fuga hormonal e o lugar onde recai a morte: é somente pelo ato sexual que simultaneamente pode se livrar de uma praga e repassá-la a um próximo. Mal se veem adultos nesse horror que eleva sua tradição ao patológico. Mitchell não trata mais de um sexo às escondidas, da repressão ou desse interminável assunto para as instituições, mas fá-lo um assunto direto de transmissibilidade (entre a doença e a verdadeira maldição) em meio a uma Detroit esvaziada, deserta, fétida. Se a palavra ainda nos for válida: (indubitável) clássico contemporâneo.

Felipe Leal


2. Corra! (2017), Jordan Peele

Jordan Peele é um jovem cineasta em destaque. Em destaque pois seus últimos filmes chamaram atenção de diversas camadas para fora do nicho do horror, tratando temas como racismo e o conhecido “sonho americano”, com Corra!, seu primeiro filme, tendo ganhado o Oscar de melhor roteiro original. Peele já tinha uma extensa carreira como comediante, fazendo a série Key and Peele, participado de Drunk History e Epic Rap Battles of History, e feito vozes para a animação Frango Robô, do canal Adult Swin. Como produtor, fez a série revival de Twilight Zone e o documentário Lorena, sobre Lorena Bobbitt. Em Corra! temos o jovem Chris (Daniel Kaluuya), que vai visitar a casa de sua namorada, Rose (Allison Wiliams), durante um fim de semana. Chris é negro, e Allison e sua família são brancos, o que já gera um certo desconforto em Chris. Mas, não só isso, coisas estranhas começam a acontecer com alguns eventos durante esse período. O filme é denso em suas discussões, mesmo as mais sutis, e gerou certo debate se seria um filme de terror. Sem dúvida é, e um dos melhores dos últimos anos.

Jéssica Reinaldo


1. A Bruxa (2015), Robert Eggers

O melhor filme de terror dessa década representa também uma das grandes estreias de um realizador nesse tempo. É incrível o modo como o jovem Robert Eggers explora uma lenda rural da Nova Inglaterra do século 17 em A Bruxa. Toda a ambientação busca ser fiel à realidade, a trama, descamba para a fantasia. Fantasia esta que também dialoga com a realidade. Um seio familiar ilhado pelo espaço e pela religião é algo bem real. Um cenário de isolamento e repressão que dá asas aos desejos mais proibidos — sendo apenas realizados no imaginário dos personagens e na sugestão das imagens de Eggers. No campo da fantasia, a lenda da bruxa e um sem número de simbolismos que remetem ao pecado original, à inquisição e até permitem uma analogia com a luta dos movimentos feministas. Algo bem realista e contemporâneo. E o mais interessante nessa rica coexistência entre o real e o sobrenatural é que há uma nítida crítica ao fanatismo religioso; mas, em mostrar ao público a lenda, A Bruxa não condena, mas legitima a crença. Como se dissesse que o problema não está em ser crente, e, sim, em ser um babaca.

Rodrigo Torres


Menção honrosa: Twin Peaks: O Retorno (2017), David Lynch, Mark Frost

Os anos 2010 consolidaram transformações radicais na tecnologia audiovisual: o digital impõe-se em definitivo sobre a película; o home cinema é aperfeiçoado por TVs repletas de recursos, cuja resolução e nitidez das imagens aproximam-se como nunca da projeção das salas de exibição; as plataformas de streaming e video on demand expandem a veiculação de conteúdos; os smartphones multiplicam o acesso às câmeras; as redes sociais borram as barreiras entre emissores e receptores. Numa história do audiovisual cada vez menos linear e mais multifacetada, nenhum projeto capturou o zeitgest do nosso tempo como a obra-prima maldita de David Lynch (o La Flor do Mariano Llinás, em contraponto, propõe uma espécie de resistência, ressignificando a experiência imaculada da película e da sala de cinema). Twin Peaks: O Retorno se alimenta de todas as complexidades da produção e exibição desta década: um híbrido entre filme e seriado, veiculado pela televisão e por streaming para o mundo todo, com recursos estéticos e narrativos que mesclam as qualidades de um grande contador de histórias com elementos complexos que aproximam a obra de projetos mais experimentais e formalistas, raramente vistos antes por meios populares. Ao invés de um comeback nostálgico, Lynch retoma o universo de horror do seriado de quase 30 anos atrás para propor um experimento híbrido e delirante que, como o melhor da arte barroca, aproxima polos radicalmente opostos (narrativo/experimental, concretude/abstração, matéria/espírito, sonho/realidade, passado/futuro, vida/morte, amor/ódio, cinema/televisão/streaming, filme/seriado) e entrega as 18 horas de audiovisual mais surpreendentes e estimulantes da década, disponíveis a qualquer espectador com três cliques no controle de uma Smart TV. Se é cinema ou televisão, pouco importa; é impossível ignorá-la.

Daniel Dalpizzolo


Listas individuais

| Convidados

Beatriz Saldanha | Crítica, pesquisadora e curadora de cinema de terror. Editora do Les Diaboliques.

  1. Personal Shopper (2016), Olivier Assayas
  2. Faca no Coração (2018), Yann Gonzalez
  3. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer
  4. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon
  5. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  6. A Misteriosa Morte de Pérola (2014), Ticiana Augusto Lima e Guto Parente
  7. Borgman (2013), Alex van Warmerdam
  8. Cisne Negro (2010), Darren Aronofsky
  9. O Lamento (2016), Na Hong-jin
  10. Trabalhar Cansa (2011), Marco Dutra e Juliana Rojas
  11. O Farol (2019), Robert Eggers
  12. Nós (2019), Jordan Peele
  13. Hereditário (2018), Ari Aster
  14. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  15. O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017), Yorgos Lathimos
  16. A Pele Que Habito (2011), Pedro Almodóvar
  17. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  18. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler
  19. Mandy: Sede de Vingança (2018), Panos Cosmatos
  20. A Enviada do Mal (2015), Osgood Perkins

Carlos Primati | Professor, pesquisador, crítico e curador de cinema de terror. 

  1. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  2. Mandy: Sede de Vingança (2018), Panos Cosmatos
  3. Hereditário (2018), Ari Aster
  4. Corra! (2017), Jordan Peele
  5. A Enviada do Mal (2015), Osgood Perkins
  6. O Farol (2019), Robert Eggers
  7. Aí Vem o Diabo (2012), Adrián García Bogliano
  8. Faca no Coração (2018), Yann Gonzalez
  9. Morto Não Fala (2018), Dennison Ramalho
  10. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  11. O Despertar de Lilith (2016), Monica Demes
  12. O Segredo da Cabana (2012), Drew Goddard
  13. A Misteriosa Morte de Pérola (2014), Ticiana Augusto Lima e Guto Parente
  14. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  15. O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017), Yorgos Lathimos
  16. Nós (2019), Jordan Peele
  17. Mar Negro (2014), Rodrigo Aragão
  18. Você é o Próximo (2011), Adam Wingard
  19. Personal Shopper (2016), Olivier Assayas
  20. Sombras da Vida (2017), David Lowery

Cecília Barroso | Crítica de cinema. Editora-chefe do Cenas de Cinema.

  1. Ao Cair da Noite (2017), Trey Edward Shults
  2. Post Mortem (2010), Pablo Larraín
  3. Corra! (2017), Jordan Peele
  4. Invasão Zumbi (2016), Sang-Ho Yeon
  5. Invocação do Mall (2013), James Wan
  6. mãe! (2017), Darren Aronofsky
  7. Um Lugar Silencioso (2018), John Krasinski
  8. Nós (2017), Jordan Peele
  9. As Boas Maneiras (2017), Marco Dutra e Juliana Rojas
  10. Grave (2016), Julia Ducournau
  11. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari
  12. Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (2016), Petrus Cariry
  13. O Que Fazemos nas Sombras (2014), Jemaine Clement, Taika Waititi
  14. Hereditário (2018), Ari Aster
  15. A Noite Amarela (2019), Ramon Porto Mota
  16. Faca no Coração (2018), Yann Gonzalez
  17. A Bela Criatura Que Mora Nessa Casa Sou Eu (2016), Osgood Perkins
  18. A Noite Devorou o Mundo (2018), Dominique Rocher
  19. It: A Coisa (2017), Andy Muschietti
  20. Garota Sombria Caminha pela Noite (2014), Ana Lily Amirpour

Daniel Dalpizzolo | Crítico da ABRACCINE. Fundador do Multiplot!

  1. La Flor: Parte 1 (2018), Mariano Llinás 
  2. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  3. Dernière Séance (2011), Laurent Achard
  4. The Midnight After (2014), Fruit Chan
  5. Djinn (2013), Tobe Hooper
  6. Estação do Diabo (2018), Lav Diaz
  7. The Sleep Curse (2017), Herman Yau
  8. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  9. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  10. Lição do Mal (2012), Takashi Miike
  11. Resident Evil 5: Retribuição (2012), Paul W. S. Anderson
  12. Enterrando Minha Ex (2014), Joe Dante
  13. Sleep Has Her House (2017), Scott Barley
  14. 31 (2016), Rob Zombie
  15. Personal Shopper (2016), Olivier Assayas
  16. Bata Antes de Entrar (2015), Eli Roth
  17. Bone Tomahawk (2015), S. Craig Zahler
  18. Águas Rasas (2016), Jaume Collet Serra
  19. Mockingbird (2014), Bryan Bertino
  20. Kill List (2011), Ben Wheatley

Francisco Bandeira | "Cinéfilo sem medo de filme de terror, mas que é assombrado pelos boletos."

  1. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  2. Sobrenatural (2010), James Wan
  3. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan
  4. A Sétima Alma (2010), Wes Craven
  5. Kill List (2011), Ben Wheatley
  6. Águas Rasas (2016), Jaume Collet Serra
  7. Invocação do Mal (2013), James Wan
  8. A Mata Negra (2018), Rodrigo Aragão
  9. Pânico 4 (2011), Wes Craven
  10. Amizade Desfeita (2014), Levan Gabriadze
  11. Deixe-me Entrar (2010), Matt Reeves
  12. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler
  13. Halloween (2018), David Gordon Green
  14. As Senhoras de Salem (2012), Rob Zombie
  15. Piranha 3D (2010), Alexandre Aja
  16. Invasão Zumbi (2016), Sang-Ho Yeon

  17. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  18. Bata Antes de Entrar (2015), Eli Roth
  19. A Noite dos Chupacabras (2011), Rodrigo Aragão
  20. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell

Italo Lobo | "Cujo filme de terror que tem como mais aterrorizante é o Brasil 2019."

  1. Invocação do Mal 2 (2016), James Wan
  2. Invocação do Mal (2013), James Wan
  3. As the Gods Will (2014), Takashi Miike
  4. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  5. Raiva (2010), Aharon Keshales/Navot Papushado
  6. Pânico 4 (2011), Wes Craven
  7. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan
  8. Sobrenatural (2010), James Wan
  9. Corra! (2017), Jordan Peele
  10. Nós (2019), Jordan Peele
  11. Eu Vi O Diabo (2010), Jee-Woon Kim
  12. Um Lugar Silencioso (2018), John Krasinski
  13. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  14. A Bruxa (2016), Robert Eggers
  15. Aí Vem o Diabo (2012), Adrián García Bogliano
  16. Terrifier (2016), Damien Leone
  17. A Casa do Medo - Incidente em Ghostland (2018), Pascal Laugier
  18. Terror nos Bastidores (2015), Todd Strauss-Schulson
  19. A Sétima Alma (2010), Wes Craven
  20. A Entidade (2012), Scott Derrickson

Jéssica Reinaldo | Escritora e pesquisadora de cinema de terror. Editora do site Fright Like a Girl

  1. Nós (2019), Jordan Peele
  2. Corra! (2017), Jordan Peele
  3. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  4. Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019), Ari Aster
  5. A Sombra do Pai (2017), Gabriela Amaral Almeida
  6. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  7. A Enviada do Mal (2015), Osgood Perkins
  8. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari
  9. Hereditário (2018), Ari Aster
  10. Você Pode Ser o Assassino (2018), Brett Simmons
  11. O Segredo da Cabana (2012), Drew Goddard
  12. Invocação do Mal 2 (2016), James Wan
  13. A Morte te Dá Parabéns (2017), Christopher B. Landon
  14. O Convite (2015), Karyn Kusama
  15. Grave (2016), Julia Ducournau
  16. As Boas Maneiras (2017), Marco Dutra e Juliana Rojas
  17. Halloween (2018), David Gordon Green
  18. Hush: A Morte Ouve (2016), Mike Flanagan
  19. A Morte do Demônio (2013), Fede Alvarez
  20. Você é o Próximo (2011), Adam Wingard

Pedro Tavares | Crítico e curador de cinema. Editor do Multiplot!

  1. Personal Shopper (2016), Olivier Assayas
  2. Bata Antes de Entrar (Knock, Knock, 2015), Eli Roth
  3. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  4. Kill List (2011), Ben Weathley
  5. As Senhoras de Salem (2012), Rob Zombie
  6. Sobrenatural (2010), James Wan
  7. Morto Não Fala (2018), Dennison Ramalho
  8. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler
  9. Luz (2018), Tilman Singer
  10. Amantes Eternos (2014), Jim Jarmusch
  11. Trabalhar Cansa (2011), Marco Dutra e Juliana Rojas
  12. O Hóspede (2014), Adam Wingard
  13. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon
  14. A Babá (2017), McG
  15. mãe! (2017), Darren Aronofsky
  16. Lição do Mal (2012), Takashi Miike
  17. As the Gods Will (2014), Takashi Miike
  18. Sombras da Vida (2017), David Lowery
  19. Águas Rasas (2016), Jaume Collet Serra
  20. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan
| Equipe

Alexandre Koball

  1. Midsommar (2019), Ari Aster
  2. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  3. Corra! (2017), Jordan Peele
  4. Sobrenatural (2010), James Wan
  5. O Segredo da Cabana (2012), Drew Godard
  6. A Entidade (2012), Scott Derrickson
  7. Prometheus (2012), Ridley Scott
  8. A Pele Que Habito (2011), Pedro Almodóvar
  9. A Casa que Jack Construiu (2018), Lars Von Trier
  10. Hotel da Morte (2011), Ti West
  11. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  12. Não Tenha Medo do Escuro (2010), Troy Nixey
  13. Invocação do Mal 2 (2016), James Wan
  14. Extraordinary Tales (2013), Raul Garcia
  15. Sala Verde (2015), Jeremy Saulnier
  16. Hereditário (2018), Ari Aster
  17. Mandy: Sede de Vingança (2018), Panos Cosmatos
  18. O Ritual (2017), David Bruckner
  19. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan
  20. Nós (2017), Jordan Peele

Bernardo D.I. Brum

  1. Nós (2017), Jordan Peele
  2. A Pele Que Habito (2011), Pedro Almodóvar
  3. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  4. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  5. Suspiria - A Dança do Medo (2018), Luca Guadagnino
  6. Fragmentado (2016), M. Night Shyamalan
  7. Kill List (2011), Ben Weathley
  8. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari
  9. Pânico 4 (2011), Wes Craven
  10. Trabalhar Cansa (2011), Marco Dutra e Juliana Rojas
  11. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon
  12. Corra! (2017), Jordan Peele
  13. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  14. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  15. Invocação do Mal (2013), James Wan
  16. As Boas Maneiras (2017), Marco Dutra e Juliana Rojas
  17. Tucker e Dale Contra o Mal (2010), Eli Craig
  18. Vingança (2017), Coralie Fargeat
  19. O Bar (2017), Álex de La Iglesia
  20. Sala Verde (2015), Jeremy Saulnier

Cesar Castanha

  1. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer
  2. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  3. Corra! (2017), Jordan Peele
  4. Barberian Sound Studio (2012), Peter Strickland
  5. Trabalhar Cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
  6. Quando Eu Era Vivo (2014), Marco Dutra
  7. Amantes Eternos (2014), Jim Jarmusch
  8. Nós (2019), Jordan Peele
  9. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  10. Suspiria (2018), Luca Guadagnino
  11. A Misteriosa Morte de Pérola (2014), Ticiana Augusto Lima e Guto Parente
  12. Sala Verde (2016), Jeremy Saulnier
  13. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  14. O Animal Cordial (2017), Gabriela Amaral Almeida
  15. A Morte te Dá Parabéns (2017), Christopher B. Landon
  16. As Boas Maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
  17. O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017), Yorgos Lathimos
  18. Fragmentado (2017), M. Night Shyamalan
  19. Annabelle 3: De Volta pra Casa (2019), Gary Dauberman
  20. Um Lugar Silencioso (2018), John Krasinski

Felipe Leal

  1. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  2. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer
  3. Deixe-me Entrar (2010), Matt Reeves
  4. O Lamento (2016), Na Hong-jin
  5. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon
  6. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari
  7. Invasão Zumbi (2016), Sang-Ho Yeon
  8. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  9. Invocação do Mal (2013), James Wan
  10. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  11. Grave (2016), Julia Ducournau
  12. A Epidemia (2010), Breck Eisner
  13. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  14. Nós (2019), Jordan Peele
  15. Fragmentado (2016), M. Night Shyamalan
  16. Corra! (2017), Jordan Peele
  17. Miss Christina (2013), Alexandru Mafte
  18. Berberian Sound Studio (2012), Peter Strickland
  19. A Seita Maligna (2016), Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
  20. O Homem nas Trevas (2016), Fede Alvarez

Francisco Carbone

  1. Corrente do Mal (2014), Robert David Mitchell
  2. O Farol (2019), Robert Eggers
  3. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  4. O Lamento (2016), Na Hong-jin
  5. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer
  6. Kill List (2011), Ben Weathley
  7. A Misteriosa Morte de Pérola (2014), Ticiana Augusto Lima e Guto Parente
  8. Corra! (2017), Jordan Peele
  9. Quando Eu Era Vivo (2014), Marco Dutra
  10. Hereditário (2018), Ari Aster
  11. O Convite (2015), Karyn Kusama
  12. Suspiria - A Dança do Medo (2018), Luca Guadagnino
  13. Invocação do Mal (2013), James Wan
  14. Demônio de Neon (2016), Nicolas Winding Refn
  15. O Homem nas Trevas (2016), Fede Alvarez
  16. Sob a Sombra (2016), Babak Anvari
  17. A Bela Criatura Que Mora Nessa Casa Sou Eu (2016), Osgood Perkins
  18. Southbound (2015), David Bruckner, Roxanne Benjamin, Patrick Horvath e outros 
  19. Entes Queridos (2009), Sean Byrne
  20. O Babadook (2014), Jennifer Kent

Heitor Romero

  1. O Estranho Caso de Angélica (2010), Manoel de Oliveira
  2. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  3. O Lamento (2016), Hong-jin Na
  4. A Pele que Habito (2011), Pedro Almodóvar
  5. Trabalhar Cansa (2011), Marco Dutra e Juliana Rojas
  6. Pânico 4 (2011), Wes Craven
  7. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  8. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  9. O Homem que Não Dormia (2011), Edgard Navarro
  10. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  11. Corra! (2017), Jordan Peele
  12. As Boas Maneiras (2017), Marco Dutra e Juliana Rojas
  13. Ilha do Medo (2010), Martin Scorsese
  14. A Morte Te Dá Parabéns (2017), Christopher Landon, 2017
  15. Quando Eu Era Vivo (2014), Marco Dutra
  16. Rua Cloverfield, 10 (2016), Dan Tachtenberg
  17. Mockingbird (2014), Bryan Bertino
  18. Sinfonia da Necrópole (2014), Juliana Rojas
  19. Frankenweenie (2012), Tim Burton
  20. Terror nos Bastidores (2015), Todd Strauss-Schulson

Rodrigo Torres

  1. Creepy (2016), Kiyoshi Kurosawa
  2. A Bruxa (2015), Robert Eggers
  3. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler
  4. Sob a Pele (2013), Jonathan Glazer
  5. O Lamento (2016), Na Hong-jin
  6. Corrente do Mal (2014), David Robert Mitchell
  7. Invocação do Mal (2013), James Wan
  8. A Pele Que Habito (2011), Pedro Almodóvar
  9. Suspiria - A Dança da Morte (2018), Luca Guadagnino
  10. O Animal Cordial (2018), Gabriela Amaral Almeida
  11. Eu Vi o Diabo (2010), Jee-Woon Kim
  12. Corra! (2017), Jordan Peele
  13. Ilha do Medo (2010), Martin Scorsese
  14. Sala Verde (2015), Jeremy Saulnier
  15. Kill List (2011), Ben Wheatley
  16. Nós (2019), Jordan Peele
  17. Invasão Zumbi (2016), Sang-Ho Yeon
  18. Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (2015), Petrus Cariry
  19. It: A Coisa (2017), Andy Muschietti
  20. O Homem nas Trevas (2016), Fede Alvarez

Ted Rafael

  1. Adam Chaplin (2011), Emanuele De Santi, Giulio De Santi
  2. Mandy: Sede de Vingança (2018), Panos Cosmatos
  3. Hotel Inferno (2013), Giulio De Santi
  4. As Fábulas Negras (2014), Rodrigo Aragão
  5. O Ataque dos Vermes Malditos 5: Linhas de Sangue (2015), Don Michael Paul
  6. A Centopeia Humana (2010), Tom Six
  7. Mar Negro (2014), Rodrigo Aragão
  8. A Seita Maligna (2016), Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
  9. Alien: Covenant (2017), Ridley Scott
  10. Juan dos Mortos (2011), Alejandro Brugués
  11. As Senhoras de Salem (2012), Rob Zombie
  12. Clown (2014), Jon Watts
  13. Taeter City (2012), Giulio De Santi
  14. O Babadook (2014), Jennifer Kent
  15. A Visita (2015), M. Night Shyamalan
  16. O Animal Cordial (2017), Gabriela Amaral Almeida
  17. O Lobisomem (2010), Joe Johnston
  18. O Homem nas Trevas (2016), Fede Alvarez
  19. Rastro de Maldade (2015), S. Craig Zahler
  20. Eu Vi o Diabo (2010), Kim Jee-woon

Comentários (16)

Araquem da Rocha | quinta-feira, 07 de Novembro de 2019 - 00:26

1- A Bruxa
2- Hereditário
3- A Pele Que Habito
4- Invocação do Mal
5- Invocação do Mal 2
6- Midsommar
7- Ilha do Medo
8- Cisne Negro
9- Nós
10- Amizade Desfeita

Jéssica Cerqueira dos Santos | domingo, 10 de Novembro de 2019 - 20:00

Minha lista
1. Eu Vi o Diabo
2. Midsommar
3. Corrente do Mal
4. Sobrenatural
5. Corra
6. Vingança
7. Nós
8. O Babadook
9. O animal Cordial
10. Invasão Zumbi
11. Invocação do Mal
12. O espelho
13. Hereditário
14. A bruxa
15. O homem nas trevas
16. Não tenha medo do escuro
17. Águas Rasa
18. Hush:A morte ouve
19. Quando as luzes se apagam
20. Jogo Perigoso

●•● Yves Lacoste ●•● | terça-feira, 12 de Novembro de 2019 - 18:35

Entre outros tiraria "Pânico 4" na maior aí. Gosto da trilogia, mas esse 4º me desculpe eterno Mestre do Horror Wes Craven! Colocaria aí "O Homem nas Trevas" por exemplo, e dois sul-coreanos inéditos por aqui: Sum-Bakk-Og-Jil (2013) e A-i-deul... (2011).

●•● Yves Lacoste ●•● | terça-feira, 12 de Novembro de 2019 - 18:44

O espanhol "Os Olhos de Júlia", a continuação "Sobrenatural 2", "Invasão Zumbi" e "A Entidade" tbm figurariam na lista.

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